Três dias em Lisboa: dez coisas para fazer

Três dias é o tempo médio que o viajante costuma dedicar a Lisboa em sua passagem por Portugal. É pouco tempo para conseguir conhecer tudo o que a cidade tem para oferecer, se três dias em Lisboa é o que se tem para a viagem, em vez de se lamentar, o melhor é aproveitá-los ao máximo. Confira dez dicas do que fazer em Lisboa em três dias.

Ribeira do Tejo. Foto: Flávia Motta

Dar uma volta pelo Chiado

O Chiado é um dos bairros mais antigos de Lisboa e também um dos mais bonitos, com fachadas antigas, que foram conservadas mesmo nas lojas mais novas. É uma região de compras, que reúne desde lojas fast fashion, como H&M e Zara, a lojas de grife, como Hermès. E ainda tem lojas históricas especiais, como a antiga Ourivesaria Aliança (hoje uma loja Tous), premiada várias vezes pelo design de interiores, ou a Livraria Bertrand, a mais antiga do mundo em atividade. É no Largo do Chiado que fica o famoso Café A Brasileira, com a estátua de Fernando Pessoa à porta.

Comer um bom bacalhau

Em Lisboa você vai encontrar pratos de bacalhau em quase todo restaurante, dos mais tradicionais e baratos aos mais modernos e sofisticados. Para não errar na escolha, saiba que quando o bacalhau é de boa qualidade, a melhor forma de comê-lo é puro, em postas altas ou mesmo desfiadas, mas com poucos acompanhamentos (geralmente batatas assadas e grão-de-bico). As receitas mais ‘arriscadas’ são aquelas que trazem o bacalhau misturado a outros itens a ponto de às vezes quase sumir, como Bacalhau com Natas (gratinado com creme branco e batatas) ou Bacalhau à Brás (um mexidão com ovos, cebolas e batata palha) – mas que são deliciosas quando bem feitas. Para uma refeição com satisfação garantida, alguns endereços certeiros são: Laurentina, A Casa do Bacalhau e Zé da Mouraria 2 (só jantar)

Miradouro do Monte Agudo. Foto: Flávia Motta

Contemplar o pôr-do-sol de um miradouro

Com mais de 300 dias de sol por ano, diversas colinas e dezenas de rooftops incríveis, Lisboa é uma das melhores cidades da Europa para contemplar o pôr-do-sol. A dica é estar de frente para o foz do Tejo, que é onde o sol cai. Ao longo do ano há locais mais favoráveis para assistir ao fim do dia. No auge do verão, o Miradouro do Monte Agudo, nos Anjos, é um dos melhores lugares. No inverno, a boa é atravessar o rio e ver o sol cair desde o Cristo Rei, em Almada. No ano inteiro o Miradouro da Graça oferece um espetáculo incrível.

Beber ginjinha

A ginjinha é um licor feito de ginja, uma espécie de cereja. Embora a ginjinha seja um produto bem famoso fora de Lisboa (Óbidos e Alcobaça têm fama de produzirem os melhores licores de ginja do país), é no centro da capital portuguesa que você vai encontrar bares únicos onde a ginjinha é a estrela. São lugares diminutos, muitas vezes com uma portinha que passaria despercebida (se não fossem as filas) e onde você pede sua dose ‘com elas’ ou ‘sem elas’. Ou seja: com cerejas no copo ou não. No Rossio, as tradicionais são Ginjinha Sem Rival ou A Ginjinha; mais moderninha, a Ginjinha do Carmo é um lugar onde você pode provar a bebida em copo de chocolate.

Rua da Adiça, em Alfama. Foto: Flávia Motta

Se perder por Alfama

Alfama é um dos bairros mais autênticos de Lisboa. Começa à beira do Rio Tejo e vai subindo em direção à Sé e à Graça com ruas e escadinhas que formam um verdadeiro labirinto em meio a predinhos brancos com varais nas fachadas e senhoras às janelas. É um local que atrai hordas de turistas mas merece ser visitado a qualquer hora do dia. À noite, o fado invade Alfama e é ouvido por todo o lado, em grandes restaurantes ou tascas pequeninas. Se você não sabe aonde ir, siga para a Rua dos Remédios, que concentra boas casas de fado. Mas se não tiver reservas, chegue cedo.

Explorar a ribeira do Tejo

Foi da foz do Tejo que saíram as caravelas dos descobrimentos portugueses. A ribeira do Tejo é parte essencial de Lisboa, um lugar onde turistas e locais se encontram para apreciar a paisagem, praticar exercícios e relaxar. No Parque das Nações, é possível contemplar o Tejo de cima, com um passeio de teleférico. No centro histórico, o Cais das Colunas e a Ribeira das Naus são os lugares mais disputados pelos turistas para fotos memoráveis. Em Alcântara, a Ponte 25 de Abril dá ao Tejo ares de Baía de São Francisco. Em Belém você pode curtir o rio apreciando monumentos impressionantes.

Jardim do Campo Grande. Foto: Flávia Motta

Curtir os jardins da cidade

Lisboa não é a capital mais verde da Europa, mas seus jardins são sempre uma boa pedida para descansar e encontrar os amigos. Um dos mais famosos da cidade, o Jardim da Estrela também é um dos mais antigos de Lisboa e muito frequentado pelos locais. Perto da Universidade de Lisboa, o Jardim do Campo Grande reúne famílias e estudantes em passeios e piqueniques à beira do lago. Outro jardim que vale a pena conhecer é o da Fundação Calouste Gulbenkian, com esculturas, aves soltas e tanques com tartarugas e carpas.

Viajar (no tempo) de bonde

Os bondes amarelinhos com seu ar vintage cortam as ruas de Lisboa espalhando pela cidade o som metálico dos atrito nos trilhos e da sineta inconfundível. O charme dos eléctricos é inegável e não é à toa que eles estão sempre sendo clicados por turistas (e alguns locais, em especial os recém-chegados). A rota do 28 é a mais famosa e formam-se longas filas nas paragens finais para uma volta nesse eléctrico. A dica é optar por outras linhas que têm o mesmo charme e trajetos são interessantes quanto, como o 12, que vai da Praça da Figueira à Sé; o 24, que vai do Largo do Camões a Campolide, cortando o Príncipe Real e as Amoreiras; ou o 25, que vai da Praça da Figueira ao Campo de Ourique, passando pelas charmosas ruas da Lapa.

Pastéis de nata da Manteigaria. Foto: Flávia Motta

Comer (os maravilhosos) doces portugueses

É bem verdade que a doçaria portuguesa carrega a mão nos ovos e no açúcar e quem não é muito fã desses ingredientes pode não se sentir contemplado numa pastelaria. Mas o que não faltam em Portugal são opções de doces para todos os paladores. O pastel de nata é a estrela em Lisboa (e eu continuo achando o da Manteigaria o melhor de sempre), mas é possível conhecer bons doces regionais em locais como a Casa dos Ovos Moles, que oferece vários doces e tem um pudim de abade priscos sensacional, ou a Pastelaria Alcoa (e sua insuperável cornucópia). Nas tascas, quem não gosta de ‘doces muito doces’ pode recorrer ao pudim de leite, o irmão menos açucarado do pudim brasileiro. Mas se açúcar não é problema, vale conhecer a baba de camelo, uma deliciosa mousse de caramelo.

Conhecer o Bairro Alto

Um dos endereços da boemia lisboeta, o Bairro Alto ferve durante a noite, com restaurantes lotados, casas de fado, bares com música alta e muita gente bebendo em pé na rua, mas tem se tornado um destino cada vez mais interessante durante o dia. No embalo da renovação de Lisboa, o Bairro (como os locais chamam) tem recebido diversas lojas cool e cafés interessantes, que recebem de braços abertos quem quer fugir do fervo noturno. Vale a pena chegar por lá para o almoço ou no happy hour, para curtir início do movimento da noite. Apenas evite o Bairro Alto nas manhãs de domingo, quando até as pedras das calçadas parecem estar tentando superar a ressaca da noite anterior.